Por muito tempo os fãs pediam por um retorno da série Samurai Shodown. Dentre os jogos de luta 2D dos anos 90, ele foi um dos mais aclamados. Praticamente, era o único que ainda não tinha um capítulo na nova geração. A espera acabou.
Ainda que o cenário pareça mostrar tendências para shooters multiplayer, o gênero de luta vem conquistando e aproveitando boas oportunidades. Mortal Kombat 11, por exemplo, é um sucesso de vendas. Claro, o nome da franquia conta muito, mas os bons ventos pode contribuir de forma decisiva. E por que falar disso? Bem, o cenário parece levemente mais favorável para Samurai Shodown.
A essência Samurai Shodown
Jogos como o MK já sofreram por tentar mudar a essência em algumas versões. Felizmente, a SNK não quis repetir este ato falho. Apostou no certo. Novamente, o combate mind game e os footsies estão presentes. Juntamente com a inexistência de combos exagerados e uma mecânica de fácil aprendizado.
Mesmo mantendo a essência, o título traz inovações. A barra que aumenta a cada golpe recebido, agora se chama Medidor de Fúria. Assim como em versões anteriores, ela deixa golpes normais mais poderosos. Porém, agora pode ser ativada a qualquer momento, criando a Explosão de Fúria.
Uma vez ativada, há duas opções: a primeira, é a Lâmina Relâmpago, golpe bem poderoso que causa muito dano. A segunda é o Desarmamento, que também causa um grande dano e desarma o oponente. Suas chances de vitória aumentarão bastante caso você se adapte bem a estes recursos.
A outra novidade é o Movimento Super Especial. Da mesma forma da Lâmina, está disponível uma única vez por partida. No entanto, não depende do Medidor de Fúria para executá-lo. Ambos são novos ingredientes que têm como objetivo mudar o rumo das lutas.
Modos de jogo para todos os gostos
Outras franquias já receberam críticas severas por escassez de modos de jogo. Street Fighter V é o melhor exemplo – e por isso demorou para recuperar a credibilidade dos fãs. Samurai Shodown acerta nesse quesito. Há uma quantidade enorme de opções.
Como todo de luta que se preze, ele tem um Modo Treino. É possível tanto aprender todas as técnicas, quanto treinar livremente. E o modo deixa claro o quão inclusivo é o game. Os treinos simples ajudam a aplicar os primeiros e é bem provável que os jogadores saiam logo do modo para “lutas de verdade”.
Para jogar contra a CPU, há quatro possibilidades: Contra o Tempo, Sobrevivência, Luva de Aço e o tradicional Versus. Os dois primeiros são similares. Em partidas de um único round, deve-se eliminar o máximo de adversários possível. Já no Luva de Aço, você controlará, alternadamente, todos os lutadores do cast.
Estes modos tornam-se entediantes rapidamente. Como o loading é um pouco demorado, não jogar batalhas inteiras tende a afastar os jogadores em curto prazo. Outra opção é o Modo História, com cutscenes e um boss final. Nele, você segue um roteiro e enfrenta os lutadores todos do elenco. Mas não espere encontrar uma história cinematográfica nos níveis de Injustice 2 ou MK 11.
As sombras que aprendem (ou deveriam)
Prometidas como a cereja do bolo, as sombras decepcionaram. A ideia parece ótima: a proposta é que a CPU pudesse aprender seu estilo de jogo, e se adaptar. Com isso, enfrentá-la se tornaria um desafio cada vez maior. Mas a realidade se mostrou diferente. Após mais de 100 rounds jogados, não foi possível constatar uma evolução palpável na Disputa Fantasma.
É possível também enfrentar sombras compartilhadas por outros jogadores. Você baixa e coloca na sua biblioteca. No entanto, elas também não ofereceram um desafio recompensador em nossos testes. Talvez seja necessário um volume ainda maior de rounds jogados para a IA conseguir assimilar o estilo do jogador.
Online escasso
Para jogar online, segue-se o padrão de outros fighting games. Salas com até dez jogadores. Quem vence, permanece e enfrenta o próximo da fila. Ou seja, de forma análoga ao fliperamas de antigamente.
A outra alternativa é pesquisar, aleatoriamente, por adversários. Pode-se fazer amistosos ou lutas ranqueadas. No entanto, foi bastante difícil encontrar adversários para jogar. Os poucos encontrados residem nos EUA ou em algum país na Europa. Muito provavelmente, a ausência de brasileiros está relacionada ao alto preço de lançamento (R$ 249).
Apesar da escassez de jogadores, o netcode está muito bem implementado. Mesmo com adversários geograficamente distantes, não houve delay nos comandos. Com este diferencial, sua popularidade tende a aumentar. Logicamente, após um generoso corte no preço.
Bela Ambientação
Desde seu surgimento, Samurai Shodown tem uma ambientação excelente. Com o representante da atual geração, não é diferente. A começar pelo som. Os efeitos sonoros são excelente, e as trilhas sonoras não ficam atrás, lembrando os filmes chineses de artes marciais. Apesar de não ser dublado em PT-BR, o jogo está todo legendado no nosso idioma.
Os cenários também chamam a atenção. Estão muitos bonitos, cheios de detalhes. Isso até é difícil de notar no calor da batalha, mas vale a pena reparar. Só que apesar de o título ser bonito, sim, alguns de seus concorrentes como Street Fighter V e MK 11 são superiores neste aspecto.
Elenco pequeno
Quem esperava um elenco numeroso vai se decepcionar: apenas treze lutadores estão presentes no cast original. Por outro lado, figuras conhecidas dos fãs como Haohmaru, Hanzo e Nakoruru retornam. Além disso, três novos lutadores chegam à franquia: Darli Dagger, Wu-Ruixiang e Yashamaru Kurama.
Como já é de praxe, teremos passes de batalha no Samurai Shodown. O Season Pass 1 já está disponível na PlayStation Store. Dará direito a quatro novos lutadores e estava de graça até o último dia 2 de julho. A primeira novidade da temporada será Rimururu, que já é conhecida de versões anteriores.
Vale a pena?
Samurai Shodown tem muitos elementos importantes que o tornam um bom jogo de luta. Principalmente, o equilíbrio entre os lutadores e a mecânica fácil aprendizado. Assim como o desempenho online acima da média, a excelente ambientação e a diversidade de modos de jogo. Definitivamente, são aspectos bastante atrativos.
No entanto, o elenco poderia ser mais numeroso. Apenas treze lutadores deixa bastante a desejar. Os loadings estão um pouco exagerados e carecem de atenção por parte da SNK. E o preço alto de lançamento, com certeza, está afastando muitos fãs ansiosos para retornar às lutas das clássica franquia.
Enfim, considerando pontos positivos e negativos, Samurai Shodown ainda vale a pena. Juntamente com outras franquias consolidas, entra na lista de grandes jogos de luta do PS4. Afinal, relembrar os bons tempos de fliperama sempre é uma boa pedida.
Fonte: Voxel
