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Cientistas tentam tratar cegueira através da técnica CRISPR

Um paciente diagnosticado com uma cegueira de origem genética teve seus genes “editados” por meio da técnica CRISPR-Cas9 com o objetivo de reverter o problema. O procedimento ocorreu no Instituto de Olhos Casey da Universidade de Saúde e Ciências de Oregon, em Portland, nos EUA, e será necessário aguardar cerca de 1 mês até que os especialistas determinem se o tratamento obteve o resultado esperado. No entanto, todos estão bastante otimistas, já que existem planos de testar o método em pelo menos outros 18 pacientes com o mesmo problema.

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CRISPR

O problema de visão sendo tratado por meio da edição genética é conhecido como Amaurose Congênita de Leber e é causado por uma mutação que impede que o organismo produza uma proteína necessária para que os estímulos luminosos que chegam aos nossos olhos sejam convertidos em sinais que, então, são enviados ao cérebro. Os afetados por essa condição costumam nascer com pouquíssima visão e perder o pouco que têm ainda nos primeiros anos de vida, e se trata de uma condição para qual não existe cura.

(Fonte: Life and Soft / Reprodução)

Durante o tratamento do paciente em questão – sobre o qual não foram divulgadas quaisquer informações, incluindo a data em que o procedimento aconteceu –, o indivíduo recebeu anestesia geral e, em seguida, 3 gotinhas de um líquido contendo as ferramentas necessárias para a edição genética, isto é, os genes que devem substituir os que sofreram a mutação no interior das células do paciente.

A grande novidade, no entanto, é que, em vez de coletar células do paciente, editá-las em laboratório e reintroduzi-las em seu organismo, tudo foi feito diretamente em seus olhos. Para isso, os especialistas aplicaram os genes necessários para a correção do problema próximo às células fotorreceptoras com a ajuda de um tubo da espessura de um fio de cabelo que foi insertado logo abaixo de sua retina, e a ideia é a de “recortar” – e “deletar” – o pedacinho do DNA onde se encontra a mutação, “colar” ali os genes certos e torcer para que tudo se conecte e a Amaurose seja corrigida.

(Fonte: GEN – Genetic Engineering and Biotechnology News / Reprodução)

De acordo com os especialistas, para restaurar a visão do paciente, será necessário editar entre 1 décimo e 1 terço das células com defeitos e, uma vez concluída, a edição é permanente. O bacana é que, apesar de muitos recearem que a técnica CRISPR-Cas9 pode, potencialmente, alterar genes que não têm nada a ver com o problema tratado originalmente, no caso do procedimento oftalmológico, além de o risco de complicações ser bastante baixo, testes apontaram que as ferramentas de edição não viajam a outras partes do corpo.

Testes anteriores

Essa não é a primeira vez que as técnicas de edição genética são empregadas diretamente no organismo dos pacientes – sem coletar e corrigir as células em laboratório antes de reintroduzi-las em seus corpos. Há alguns anos, especialistas utilizaram um método chamado Nucleases de Dedo de Zinco (ZFNs) para tentar tratar um problema metabólico raro e bastante grave conhecido como Síndrome de Hunter, mas obtiveram pouco sucesso no alívio dos sintomas da doença.

(Fonte: The Guardian / Reprodução)

Além disso, você talvez se recorde de ter lido aqui no TecMundo sobre o uso da técnica CRISPR-Cas9 em 3 pacientes com câncer avançado. Nesses 3 casos, os especialistas coletaram células dos doentes e, após fazerem edições em laboratório para que elas passassem a atacar as células cancerígenas, apesar de o procedimento não prejudicar o quadro, a técnica infelizmente tampouco salvou a vida dos pacientes.

Ainda assim, as tentativas certamente vêm servindo para que os especialistas possam testar diferentes terapias gênicas e técnicas de edição. A CRISPR-Cas9 é considerada como mais versátil, fácil de pôr em prática e efetiva que outros métodos, e avançar com o seu desenvolvimento pode levar à descoberta de curas para incontáveis problemas de saúde.

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Fonte: Tecmundo
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