Confesso que, ao contrário de muitos fãs da franquia, eu fiquei com um certo receio quando o remake de Resident Evil 3 foi anunciado. Com uma data de lançamento tão próxima, temi que o jogo reciclasse a jogabilidade e as mecânicas de Resident Evil 2, apenas adicionando uma nova roupagem com a história de Jill Valentine — o que não o deixaria tão bom e único quanto o anterior.
A convite da Capcom, pude jogar quase duas horas do game, que foram mais do que suficientes para eu ver como estava enganada.
A demo começa nas ruas de Raccoon City, em uma das partes iniciais em que Jill já encontrou o grupo de Carlos Oliveira, os mercenários da Umbrella. E esse foi um dos poucos momentos familiares para quem jogou o original, o resto foi uma f de conteúdo inédito.
Os cenários foram expandidos, principalmente as ruas, que estão cheias de lojas abandonadas, becos escuros e corredores interligados que devem ser explorados para encontrar uma maneira de avançar. Tudo isso lembra como a delegacia da cidade é estruturada: cheia de lugares e itens que, para serem encontrados, você precisa passar por ali várias vezes.

Uma vez que o jogo se passa durante o mesmo incidente de RE2, é natural que apareçam algumas semelhanças, como as armas e munições, os gráficos e os efeitos sonoros. Porém, existem mudanças e pequenas melhorias na jogabilidade que diferem os títulos, como as interfaces, a interação com os itens e a esquiva de Jill (extremamente útil para fugir dos mortos-vivos).
Muito do game se baseia em exploração e é muito tenso andar pelas ruas escuras de Raccon City, cheias de carros pegando fogo e zumbis empurrando grades — que dão a impressão de que podem cair a qualquer momento e causaram vários sustos. Além disso, na maior parte do jogo não há música, o que intensifica os sons dos inimigos.
Se você achou o Mr. X assustador, sinto informar que é apenas porque ainda não viu o Nêmesis. Aqui, o vilão da S.T.A.R.S é violento, bruto, rápido e aterrorizante.
Assim como no original, o supersoldado aparece repentinamente e persegue Jill até o jogador encontrar uma maneira de avançar na história. Só que essa não é uma tarefa simples. Isso porque ele corre, tenta socar, berra e faz o chão tremer, salta na frente de Jill e até a arrasta pelas pernas com seu tentáculo — sem dar pausas para o jogador respirar.

A situação fica ainda mais tensa com o som dos passos pesados do vilão e com a trilha sonora, agora sim presente, que muda e fica mais frenética com a sua chegada. É bem difícil pensar onde é preciso ir com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, o que me fez comemorar e me sentir aliviada toda vez que conseguia escapar.
A cereja do bolo na demo foi uma luta obrigatória com a primeira fase do Nêmesis — que não acontece no original –, com ele usando nada menos do que um lança-chamas. Não preciso nem dizer o quanto as minhas mãos suaram no momento, né?
A modernização de um clássico
Assim como aconteceu com RE2, o termo “remake” parece não fazer jus ao que Resident Evil 3 pode oferecer. Isso porque ele moderniza e reimagina o clássico de 1999, trazendo-o para uma nova geração e ainda alegrando o coração dos saudosistas.
O game ainda mostrou que os desenvolvedores souberam misturar elementos de terror e de ação em medidas bem balanceadas, algo que é bem polêmico entre os fãs da franquia. Mas o potencial de satisfazer os dois lados é bem grande.
Ao me sentar para jogar a demo de RE3, eu ainda estava com dúvidas sobre o jogo. Mas, assim que explorei as ruas de Raccoon City e enfrentei o tão temido Nêmesis, só consegui desejar que abril chegasse logo.
Resident Evil 3 será lançado no dia 3 de abril de 2020 para PC, PlayStation 4 e Xbox One.
Fonte: Jovem Nerd