Usando o tédio como ponto de partida para uma jornada fantástica, o livro Gastaria Tudo com Pizza entrega viagens no tempo, aliens, conspirações e, claro, muita pizza.
Um dos primeiros lançamentos da editora Pipoca e Nanquim, o livro mistura elementos de ficção científica e do cotidiano, tudo isso permeado por boas doses de comédia e momentos absurdos. A trama acompanha o protagonista Bernardo, popularmente conhecido como Bob, que resolve transformar sua máquina de escrever em uma máquina do tempo, e que até consegue cumprir seu objetivo, mas o Universo entra no caminho e nada sai conforme o planejado — o que torna toda a experiência ainda mais divertida para o leitor, mas não tanto para Bob.
Pedro Duarte, o autor, conta que não sabe bem ao certo de onde surgiu a ideia de usar uma máquina de escrever como portal, mas que pode ter sido algo subconsciente:
Não tenho ideia. Tinha uma máquina de escrever em casa quando era criança. Eu usava muito. Escrevia um monte de coisa, crônicas sobre os móveis da casa, sobre as coisas que via na rua. Era um portal pra colocar a imaginação no papel. Vai ver a mente trouxe isso de volta!
Assim como a mente de Pedro o levou de volta no tempo para que ele fosse inspirado por episódios de sua infância, a máquina de escrever de Bob o leva para diversos lugares, como um castelo, um museu e tantos outros lugares onde passa por situações caoticamente divertidas e absurdas. Além dele, outros personagens também enriquecem a trama, como a jornalista Nina, o rabugento Nestor e o segurança Ruben, com preocupações e personalidades que os leitores podem reconhecer em um vizinho mau-humorado ou num colega de trabalho perfeccionista.
Tudo começa em pizza
Indo contra o dito popular, a história não só começou com pizza como foi escrita pelo começo. “A primeira cena foi o início do livro, comecei pelo começo”, contou Pedro, dizendo que tinha apenas a cena inicial em mente quando começou a escrever.
Alguém correndo, descendo as escadas em espiral de uma torre de pedra. Quando escrevi a cena, não tinha ideia do que teria depois. Só tinha o título, essa cena e a vontade de criar alguma outra coisa pra brincar com o gênero fantasia, algo pra soar épico, grandioso. Que acabou se tornando o núcleo dos Spalash.
O povo Spalash, que protagoniza um dos melhores momentos da trama, nasceu de forma simples, mas acabou se tornando algo maior — uma intervenção do universo que acabou dando muito certo:
O povo Spalash era só uma ideia pra brincar com as coisas grandiloquentes de fantasia, mas ganhou vida própria. O nome Spalash é que eu queria algo que soasse bem quando a gente falasse em voz alta também. Pensei em algumas onomatopeias que tivessem a ver com eles, e veio o som splash na hora de escrever.
E por que a pizza? “Eu brincava quando estava cansado que se tivesse dinheiro sobrando gastaria tudo com pizza. É aquela comida que abraça!”, contou o autor, complementando que sua pizza favorita é a de quatro queijos (“Eu acho…”).
Referências e futuro
A junção de sci-fi e comédia de Gastaria Tudo com Pizza lembra muito o humor e construção narrativa de nomes como Douglas Adams, de O Guia do Mochileiro das Galáxias, e Terry Pratchett, autor de Discworld que também co-escreveu Belas Maldições juntamente com Neil Gaiman, livro que deu origem à série Good Omens. O projeto gráfico do livro reforça essas referências com capa assinada por Giovanna Cianelli, que, por sua vez, se inspirou em Monty Python de Terry Gilliam e nas montagens de Jack Kirby. A parte inicial de cada capítulo conta com tipografia estilizada, ilustrando de certa forma a história escrita nas páginas do livro.
A aventura fantástica de Bob e sua máquina de escrever abre um leque de infinitas possibilidades de expansão do(s) universo(s), e, ainda que as tramas sejam concluídas no livro, há espaço para explorar os personagens em outros títulos, sejam eles sequências ou spin-offs. Seja como for, cabe ao nosso universo dar uma força para que tenhamos mais do Universo de Gastaria Tudo com Pizza.
Fonte: Jovem Nerd
