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Sensores previram deslizamentos em SP; prefeituras não evacuaram

De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), sensores de umidade do solo instalados nos municípios da Baixada Santista já davam indícios, cerca de quatro dias antes dos desmoronamentos ocorridos na região, que o solo dos morros estava muito próximo de atingir a saturação, ou seja, o ponto crítico que considera a probabilidade de deslizamentos.

Os equipamentos do Cemaden são plataformas compostas por sensores de umidade do solo e de medição do volume de chuva, e foram instalados em junho de 2019, como parte de um projeto-piloto entre o órgão e as defesas civis dos municípios de Santos, São Vicente, Guarujá, Cubatão e Praia Grande, todos no litoral de São Paulo.

Guarujá, cidade mais afetada pelos deslizamentos de terra na Baixada Santista. Fonte: G1/Marcela Pierotti/Reprodução)

Segundo o Cemaden, no domingo (01), um dia antes dos deslizamentos, os dados coletados no Guarujá já indicavam que o solo estava com 47,16% de umidade. O ponto de saturação, quando há riscos reais de deslizamentos, é atingido com 50% de umidade.

Adicionalmente, havia a informação de que choveu o triplo do que era esperado para o mês de fevereiro, naquela região.

Cemaden enviou alerta ao Cenad

Antes da medição do dia 1º de março, mais precisamente no dia 28 de fevereiro, o Cemaden enviou um alerta sobre tempestades e riscos geo-hidrológicos previstos para os próximos dias, ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), órgão do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR).

Dados dos sensores do Cemaden indicavam umidade do solo em 47% no dia 1º de março. (Fonte: Jornal Hoje/Reprodução)

No entanto, a Defesa Civil de estado de São Paulo disse que os planos de evacuação e retirada de moradores das áreas de risco são de responsabilidade dos municípios, que, eventualmente, poderiam solicitar apoio ao governo do estado.

Enquanto isso, a prefeitura de Guarujá afirmou que o alerta emitido pelo Cemaden não citava uma real necessidade de evacuar os moradores das áreas que poderiam ser afetadas.

O secretário-adjunto de Defesa e Convivência Social do município, Eduardo Smicelato, explicou que a saturação do solo, por si só, não funciona como elemento chave para considerar a evacuação nas áreas de risco, mas sim o volume de chuvas. O fato é que o serviço de meteorologia foi pego de surpresa, quando não conseguiu prever os 280 mm de chuva em apenas 12 horas, que causaram a tragédia que resultou, até esta manhã de quarta-feira (11), em 44 mortes.

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Fonte: Tecmundo